VIAGEM AO PASSADO: A história das Praças Sérgio Magalhães e Barão do Pajeú em Serra Talhada

Por Paulo César Gomes, para o Farol de Notícias

Rua Monsenhor Afonso Antero Pequeno, atuais praças Sérgio Magalhães e Barão no final da década de 1930

O “Vigem ao Passado” convida você a adentrar em uma cápsula do tempo e regressar a cidade de Serra Talhada, em uma época em que ainda era Villa Bella. As imagens nos dão a ideia de uma cidade tranquila, com uma rua bastante larga e sem pavimentação, pelo andar das crianças, a sensação que temos é que o ritmo da cidade parece se desenvolver de forma lenta.

No centro da imagem acima, percebemos a Igreja Matriz de Serra Talhada ainda em construção, na época, esse local era o ponto mais alto da cidade. A grande quantidade de postes instalados ao longo da rua, deixa claro que o pensamento era deixar o espaço bastante iluminado a noite, mesmo que a energia fosse gerada através de um motor a óleo diesel e as luzes fossem desligada às 21 horas.

Nessa mesma rua – que depois virou praça, ou melhor, duas praças – já existiu outra Igreja Matriz que ficava um pouco mais abaixo do que a atual, velha foi demolida em 1920, para ser substituído pelo novo templo. A pedra fundamental para o início da obra foi assentada no dia 21 de agosto de 1925, e um celebração que contou com a presença de muitos fieis. A primeira etapa da obra foi inaugurada em 02 de setembro de 1941, com as presenças do interventor Agamenon Magalhães e o General Mascarenhas de Moraes. Segundo o Diário de Pernambuco (1941), na data ocorreu uma missa em seguida foi inaugurada a torre da Igreja.

As duas fotografias exibem o cenário cotidiano da antiga Rua Monsenhor Afonso Pequeno, as atuais praças Sérgio Magalhães[1] –parte inferior e de maior extensão- e Barão do Pajeú [2] – parte superior e de menor extensão -. Consta que um dos primeiros cemitérios da cidade foi erguido onde hoje está localizada a Barão Pajeú, por trás da Igreja que foi demolida. Segundo relatos dos moradores mais antigos, durante a construção da Praça Barão Pajeú, restos mortais, caixões e cruzes foram retirados do local.

Um relato histórico feito por Luiz Lorena (2001), indica que o espaço foi ocupado para ser uma rua, que tinha como o objetivo inicial mostrar o poder econômico e político da cidade, isso ocorreu ainda no século XIX, logo após a emancipação.

Em uma reunião, o comendador Pereira propôs aos grandes donos de fazenda que cada um construísse uma casa na nova rua, “todos concordaram com a ideia, e em doze meses completavam as edificações em torno de um grande retângulo, ocupado hoje pelas praças Sergio Magalhães e Barão do Pajeú”. (LORENA, 2001, p.22).

Lorena (2001) ainda chama atenção para o fato de que “as casas assim erigidas tomaram os nomes das Fazendas dos seus proprietários”. As 31 casas ficaram divididas nos dois lados da rua: Vejamos pela ordem.

Rua Monsenhor Afonso Antero Pequeno, atuais praças Sérgio Magalhães e Barão no final da década de 1930

Subindo pelo lado esquerdo das praças: Casa da Fazenda Mocambo (onde nasceu Agamenon Magalhães), construída por João Luiz de Magalhães; da Fazenda Barra do Bonito, Fazenda Porteira, Fazenda Pitombeira, Fazenda Jatobá, Fazenda Passagem do Meio, Fazenda Canafistula, Fazenda Jatobazinho, Fazenda Aldeiota, Fazenda Carnaúba, Fazenda Barra do Exu, Fazenda Serrinha, Fazenda Teiú, Fazendo Saco, Fazenda Saco da Roça.

Subindo pelo lado direito das praças: Casa da Fazenda Carnaúba do Ajudante, Fazenda Saco da Roça, Fazenda Soledade, Fazenda Saco da Roça, Fazenda Barra da Carnauba, Fazenda Barra de Tauapiranga, Fazenda Malhada Cortada, Fazenda Aboboras, Fazenda Piranhas, Fazenda Piranhas, Fazenda Quixaba, Fazenda Faxeiro, Fazenda Malhadinha e Fazenda São Miguel[3].

Foi nesse espaço, que sofreu diferentes mudanças ao longos dos anos, que as coisas aconteceram em Serra Talhada: desde a realização das procissões a desfile de blocos carnavalescos, passando pelas atividades políticas em épocas de eleições; um lócus urbano vário que se transformava em palco para manifestações diversas – do sagrado, do profano e do político. Ou seja, um lugar de sociabilidade e democrático, onde vários seguimentos poderiam se encontrar mesmo que fosse em forma de grupos diferente, ou até mesmo, em evento com finalidades diferentes. Nesse sentido, a frase do poeta Castro Alves acaba por contemplar de forma poética, a síntese da análise sobre a Praça Sérgio Magalhães: “A praça é do povo como o céu é do condor”[4] (Trecho do poema O Povo ao Poder).

Notas de rodapé:

1- O juiz e deputado estadual Sérgio Nunes Magalhães, era pai de Agamenon Magalhães, seu nome foi dado a praça em 1951, quando da inauguração, e contou a presença do filho, que na época era governador do estado de Pernambuco.
[2]  Na divisão ocorrida na Rua Monsenhor Afonso Pequeno, a parte superior foi denominada de Praça Senador Manoel Borba, e em 03 de setembro de 1965, através Lei 182/65, passou a ser denominada de Praça Barão do Pajeú. Fonte: Câmara de Vereadores de Serra Talhada.
[3] LORENA, Luiz. Serra Talhada. 250 anos de história. 150 anos de Emancipação política. Serra Talhada: Sertagráfica, 2001. p. 22.

[4] ALVES, Castro. Espumas Flutuantes, 1870.

O texto foi retirado do livro”SERRA TALHADA: CEM ANOS EM QUARENTA (1940 -1980), publicado em 2019, de autoria do Professor, Pesquisador e Escritor, Paulo César Gomes. 

Deixe seu comentário